
* Inspirado na música Gol Anulado de Aldir Blanc e João Bosco
Rodolfo era Vascaíno roxo. Era casado com Maria da Penha e levava uma vida "papai e mamãe".
O homem só salpicava o salmão às quartas e aos domingos, após o jogo da cruz-maltina.
O casamento não andava lá essas coisas. Afinal, eram mais de três anos convivendo juntos e daquele feijão Rodolfo já havia comido até o caroço.
Isso até aquela final em 78, Vasco e Flamengo, com o escrete liderado pelo Zico.
Falta para o Mengão. Zico vai bater.
O casal sentado reza para que aquela bola passe por cima do Maracanã. Juiz apita. Zico bate e...
Maria da Penha grita: Gollllllllllllllll!!
Rodolfo está gelado. A traição era imperdoável, inaceitável, inacredtiável. Sentia-se um corno de chuteira.
- Porra, tinha que ser para o Flamengo?
Rodolfo tirou seu cinto e bateu sem pensar. A cada cintada Maria da Penha esperneava mais, como uma cabrita no cio.
Os gritos fininhos da moça eriçaram as entranhas de Rodolfo, como daquela primeira vez na ilha de Paquetá.
O zíper da calça de prega Colombo já estava totalmente arrombado, enquanto Maria da Penha ajoelhada perdia perdão pelo seu pecado.
Mas aquela virilidade de Rodolfo e o zíper aberto também emocionaram a moça.
Os dois logo se amaram ao lado da mesa de centro. Rodolfo melou deliciosamente o tapete de feltro logo após o apito do juiz.
Flamengo 1X0. O Vasco perdeu a taça Guanabara, mas o casal conseguiu levar o casamento para a prorrogação.
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